segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Invasão de Gaza: a culpa de todos nós


Até quando vamos ter que assistir aos ataques em massa de Israel à faixa de Gaza? O fato do Hamas lançar foguetes no sul de Israel justifica a retaliação desproporcional, que já matou mais de 400 palestinos?

Faz muito tempo que o Holocausto não serve mais como justificativa - pelo menos para mim - para todos os crimes cometidos pelo governo israelense em nome da ameaça palestina. E hoje, ao ler o artigo do jornalista inglês John McCarthy, no Globo, essa certeza ficou ainda mais cristalina. McCarthy, para quem não sabe, foi o jornalista sequestrado pela Jihad Islâmica no Líbano, em 1986. Ficou cinco anos em poder dessa turma da pesada. Quando foi libertado, seu sofrimento foi relatado em filmes e livros.
Tudo isso pra contar pra vocês, que não leram o Globo, que McCarthy escreveu o seguinte sobre o ataque de Israel: " ....Embora a resposta desproporcional já tenha provocado diversos pedidos de moderação por parte de vários organismos internacionais, o governo israelense continua a se retratar como uma vítima passiva sob ameaça. Ehud Barak (ministro da Defesa) descreveu Israel como "uma vila no meio da selva" e um local civilizado cercado de hordas de selvagens"".
Preconceito, discriminação, racismo? Já vimos esse filme.
Gaza se encontra mesmo à beira de um desastre humanitário, como relata McCarthy. Sem luz, sem água, sem remédios, sem combustível e sem alimentos. Mas Israel ignora inúmeras resoluções da ONU, sempre com o apoio dos Estados Unidos.
A pergunta-chave, no artigo do jornalista britânico, é a seguinte: por que não há uma pressão real para que as resoluções da ONU sejam cumpridas por Israel? Na opinião dele, em parte porque nosso imaginário coletivo carrega a culpa pelo Holocausto. Criticamos as posições de Israel mas não temos coragem de ir muito além disso, talvez por medo de sermos acusados de atacar um povo que já sofreu tanto em sua longa história. "A tragédia", conclui Mc Carthy, " é que, agora, um outro povo está sofrendo por causa da hesitação do mundo em ofender Israel.
Cabe à imprensa internacional, em sua maioria pró-Israel, desempenhar de verdade o seu papel fiscalizador e cobrar de Israel - e dos Estados Unidos - o fim do bloqueio e dos ataques desproporcionais que matam com bombas, de fome e de sede centenas de civis, entre eles inúmeras crianças.
A culpa pelo Holocausto é de todos nós. Mas assistindo a essa guerra infinita, no Oriente Médio, e às posições de Israel, tenho me perguntado muitas vezes se o Holocausto foi mesmo o limite da crueldade humana na chamada era moderna.


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